A hipocrisia farisaica nos dias atuais



A hipocrisia farisaica chegou a um nível insuportável no seio da igreja. O que se deve no reino de Deus é amor, amar e ser amado. Amor a Deus em primeiro lugar e uns aos outros como a si próprio em segundo plano.


É uma pena que a maioria dos cristãos modernos não saibam o que vem a ser isto: - AMOR!
É exatamente esse o motivo dos incrédulos não conseguirem reconhecer, entender e discernir a Jesus Cristo através dos filhos de Deus, a falta de amor entre os filhos de Deus. É cada um para si e Deus para todos! O amor se esfriou quase por completo!

Em Atos capítulo 2 vemos que o amor e a comunhão entre os filhos de Deus era exatamente o ponto estratégico do testemunho dos primeiros cristãos. O mais importante e chamativo para que os incrédulos entendessem que Jesus, mesmo tendo subido aos céus, continuava entre seus discípulos e que tinha pregado uma doutrina verdadeira que conduzia à salvação e à evolução espiritual daquele que caminhava com Deus em direção às moradas eternas, era o amor e a unidade entre os cristãos.
O amor entre os primeiros cristãos não era algo forçado ou encenado como hoje se vê. Era natural e fluía com facilidade entre eles. Tudo era dividido, ninguém tinha excesso ou falta de nada, seria uma utopia nos dias atuais! Hoje vemos que a fé capitalista grita poderosamente que Deus quer dar, encher os celeiros e prover seus filhos de bens. E quem é pobre e não tem nada? Explicam ser porque tem falta de fé, tem pecado, tem maldição, não é filho de Deus de fato, não dá ofertas suficientes ou não contribui com um dízimo condizente.

A Palavra de Deus pregada por Jesus Cristo nos leva ao entendimento que a pobreza de alguns e a riqueza de outros (financeira), é a oportunidade que Deus dá para o exercício do amor no dividir, no compartilhar e no dar. Mas o que vemos são os ricos querendo cada vez mais, sem o menor sentimento de compaixão pelos pobres. A pregação é sempre contundente pelos altares, quem dá sempre recebe! Então afirmam que ninguém pode esquecer dos dízimos e das ofertas para a casa do tesouro. Isso está correto, mas e o resto da pregação? E a oferta dos pobres? E o ajudar quem passa necessidade? Desses quase não se lembra! Mas é deles que Jesus quer que mais nos lembremos, antes dos dízimos e das ofertas, por isso disse: - Misericórdia quero e não holocaustos (Oséias 6:6, Mateus 9:13 e 12:7). Quando pregamos a Cristo com nossas atitudes de amor para com os pobres, necessitados, doentes, encarcerados, pecadores, é que efetivamente conseguimos ganhar almas para o reino de Deus.
Os líderes espirituais contemporâneos pregam veementemente que eles, os líderes, e também os irmãos ricos financeiramente, têm o direito que serem ricos e milionários. Alegam que não há pecado ou erro na sua riqueza, muito pelo contrário, registram que é direito deles, porque tem a prosperidade como eleitos de Deus, como dignidade pelo salário do trabalhador, como resultado do sucesso de Deus no ministério e no profissional e por aí vai.

De fato isso não está errado! Deus quer que seus filhos sejam ricos financeiramente. Mas prosperidade é ausência de necessidade e não riqueza financeira. Deus quer seus filhos com muitos bens financeiros para dividir com os que não tem e financiar a pregação do evangelho pelo mundo, não para juntar e ter muito guardado, pois neste mundo não devemos ajuntar tesouros corruptíveis (bens), porque aqui a traça e a ferrugem corroem e o ladrão rouba (Mateus 6: 19 e 20). Devemos ajuntar tesouros nos céus, que é exatamente o amor para com Deus, com o próximo e consigo mesmo.
Na tentativa de "forçar" a prova da existência do amor entre as pessoas, é possível testemunhar muitas atitudes que quase chegam ao ridículo nas reuniões congregacionais (cultos, missas, etc.), no comportamento e no dia a dia das pessoas. Vemos nas reuniões os líderes ordenando: - Dê as mãos ao seu irmão, abrace e ore com ele, mas o que se vê são ações de quase repugnância pela proximidade do outro. No momento da ceia ordena-se: - Troque seu cálice com seu irmão e diga que o ama, mas o que vemos são expressões de desafeto e distanciamento, porque ali não se expressa a verdade, mas uma encenação. No momento de cantar hinos em louvor a Deus, o dirigente comanda: -Vamos dar as mãos e cantar juntos, mas o que se vê é má vontade e desunião.

Não é possível “forçar” em alguns momentos o que não existe na vida real, no dia a dia. No cotidiano o que se vê, na maioria dos casos (é lógico que existem exceções), é falta de amor, falta de respeito e falta de consideração uns para com os outros. O que se vê é despreocupação para com os pobres, viúvas, doentes e necessitados. Para que a flata de amor não fique um tanto evidente, inventam algumas ações sociais somente “para constar”!
A preocupação que predomina é com o crescimento de fiéis, construir templos grandiosos, aumentar o reconhecimento na sociedade, ganhar vultuosidade e fama nas mídias, ganhar poder político e ficar mais rico financeiramente. A busca pela fama se tornou algo aterrador! Dizendo-se que é necessário louvar a Deus com cânticos de qualidade e atuações que anunciem o reino dos céus alcançando qualquer gueto (grupo social), criam músicas que a cada dia conquistam mais reconhecimento nas mídias, mas em contraponto falam cada vez mais do homem, do eu e do receber de Deus, deixando de lado o declarar da honra, da glória e dos atributos de Deus.

A cada dia mais se conquista espaço nas rádios e nas televisões. Apesar de falarem da palavra de Deus, não pregam efetivamente o reino de Deus e sua justiça, mas são eficientes em melhorar a fama e o reconhecimento dos conjuntos e dos cantores gospels. Usam o espaço nas mídias para pedir e pedir dinheiro aos fieis para financiar mais espaço nas mídias e para aumentar o poder financeiro e patrimonial das congregações denominacionais. Se olharmos os cantores gospels e os cantores seculares, quase não de diferem na fama, no estrelismo, na idolatria, na egolatria e no comportamento, deles e de seus fãs. Falam de Deus, mas buscam fama e reconhecimento para si.
Enquanto isso o amor vai se esfriando cada vez mais e mais entre as pessoas e vai sendo deixado de lado. Mas isso está previsto em Mateus 24: 10 a 12 e 2Timóteo 3: 1 a 5.

2 Tim. 3:1 a 7= Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder. Foge também destes. Pois entre estes se encontram os que penetram sorrateiramente nas casas e conseguem cativar mulherinhas sobrecarregadas de pecados, conduzidas de várias paixões, que aprendem sempre e jamais podem chegar ao conhecimento da verdade.
Impressionante este texto de Paulo escrito à Timóteo, não é? Fala exatamente dos dias que estamos vivendo, das pessoas e do contexto social moderno. Olhe para si e para as pessoas dentro das igrejas, não é exatamente assim que somos hoje? Egoístas, avarentos, desafeiçoados, implacáveis com o próximo, cruéis, mais amigos dos prazeres (coisas mundanas e bens) que amigos de Deus. Temos forma (aparência, forçar a barra, encenar, imitar) de piedade (amor e misericórdia para com outro), negando-lhe, entretanto, o poder (porque não temos obras condignas com nossa pregação).

É tempo de reformar a igreja, seus líderes e o povo que os seguem. Quem tem ouvidos ouça!

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