Raiz de amargura

Hebreus 12:15 > “... atentando, diligentemente, por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos perturbe, e, por meio dela, muitos sejam contaminados; ...” 

Leia (sem falta) os versículos de Mateus 18: 21 a 35.

A raiz de amargura é uma espécie de mágoa, ódio ou rancor alojado em nosso coração (sentimentos) contra alguém que fez alguma coisa conosco que julgamos indevido, injusto e imerecido. Este sentimento doentio e profundo é causador de muitos males da alma, do espírito e do corpo físico, as chamadas doenças psicossomáticas. Está comprovado pela ciência que os males da alma, dos sentimentos, causam doenças no corpo físico, como câncer, bronquite, artrites, etc. Pode-se ler muito sobre o assunto em revistas, livros, jornais, publicações e pela internet, a exemplo do link solbrilhando (clique).

 
A mágoa (amargura) destrói uma pessoa em pouco tempo, mas como não se bastasse, destrói também aqueles que convivem com o amargurado. Amargura é como uma grande árvore que possui profundas raízes. Para matar a árvore não basta cortar o tronco, porque um dia ele volta a brotar, tem que furar o solo profundamente e matar a raiz, arrancando e queimando-a. É um erro quando o amargurado querendo se livrar de seu mal ignora sua alma doente. Também é um erro quando tentando se livrar da dor ignora quem lhe machucou, isolando a pessoa, dando “um gelo” nela. Isto não resolve nada, na verdade piora a situação, é a chamada negação do problema.

Quando uma pessoa é injustiçada, é normal sentir raiva e inconformismo por aquela situação. A raiva é um sentimento unicamente interno e deve ser volátil e passageiro. O erro é deixar a raiva permanecer e se transformar em ódio, amargura ou mágoa, que serão sentimentos venenosos, profundos e que se manifestam com atitudes exteriores contra o outro. Este mal brota com muita facilidade e cresce com impressionante rapidez. A raiva é como uma faísca, que dá um pequenino choque elétrico em dias secos e quentes quando tocamos uma peça metálica. A amargura é quando a mesma faísca encontra combustível em nossa alma e detona um fogo, um incêndio consumidor, que queima nosso ser por muito tempo.

A raiva é um sentimento instantâneo (faísca) contra qualquer espécie de atitude imerecida praticada contra nós pelo outro, a exemplo de uma “fechada” no trânsito, uma fofoca ou mentira, um assalto, um esbarrão na multidão, um “bom dia” que não recebemos, uma ligação telefônica prometida não cumprida, um acordo descumprido, um carinho não dado, um ato de amor ignorado, uma cara feia, uma expressão que não gostamos, uma resposta indevida ou grosseira, uma palavra errada ou no tempo errado, uma traição, um assassinato, um roubo e por ai vai! Todas estas situações nos deixam enraivecidos! Mas quando a raiva que deve ser passageira (faísca), perdura, transforma-se em ódio, rancor, mágoa ou amargura (fogo, incêndio). Esse mal é violento e cresce rapidamente, entrelaçando suas raízes com rapidez por todas as áreas da alma e do ser. Em pouco tempo domina a nossa vida e influencia o nosso comportamento, atingindo em cheio aqueles que convivem conosco.

Geralmente a mágoa aparece em nosso coração contra as pessoas que amamos. Quando somos prejudicados por alguém fora de nosso círculo de relacionamento, ficamos com muita raiva, mas quando tal pessoa se afasta, logo esquecemos dela e do mal que nos fez. Assim a raiva se dissipa rapidamente e ficamos livres daquela situação. Por exemplo: Imagine uma pessoa falando mal de você dentro de uma loja e você escuta. Você sentirá muita raiva naquele momento. Mas se a pessoa se afastar e for embora, você continuará com raiva, mas os minutos se passarão, você se distrairá com outras coisas, começará a esquecer daquela pessoa e em pouco tempo a raiva foi embora e você esqueceu-se de tudo.

Agora imagine a mesma situação, porém falando mal de você dentro da loja um amigo (a) seu. Mesmo que ele se afaste naquele momento e vá embora, dificilmente você se esquecerá daquela injustiça. A lembrança daquele momento de traição ficará queimando dentro do seu peito e de sua cabeça. Pode ter várias situações diferentes dentro da loja, você pode ir comer em um restaurante, assistir um filme, mas a lembrança vai ficar lá na sua mente! Quando for dormir vai lembrar daquilo, ai pronto! Se instalou a mágoa, o incêndio começou.

Contra a amargura, mágoa ou rancor, só existe um remédio, somente um antídoto, que é O PERDÃO! Em outro estudo falaremos detalhadamente sobre o perdão. Mas basicamente perdoar é abrir mão de cobrar a dívida, liberar o outro do ressarcimento do mal praticado, é abdicar do direito de vingança, é relevar o direito de justiça contra o infrator, é entregar para o outro aquilo que julgamos por direito ser nosso, enfim, é servir e amar quem nos prejudicou. Não é um ato simples e fácil, mas é a única cura possível para a amargura. Perdoar é se humilhar e se tornar pequeno diante daquele que lhe prejudicou. Mas como no Reino Espiritual as coisas são diferentes e invertidas do plano físico, é exatamente neste ponto que começa o milagre da cura da amargura. Aquele que se humilha é exaltado (Mateus 18:04 e 23:12, Lucas 14:11) e aquele que se faz menor se torna o maior (Lucas 9:48).

Quando a pessoa não quer perdoar, na verdade ela está reivindicando seu direito de vingar o mal, de fazer justiça com as próprias mãos e cobrar à força o seu direito diante da dívida e do mal praticado. Quem não perdoa está querendo fazer juízo e executar sentença contra o infrator com suas próprias mãos e forças. Quer sentir o gosto do sangue do outro na sua boca, para tentar refrescar com as frias águas da vingança (“a vingança é um prato que se come frio”, diz o dito popular) o fogo consumidor do incêndio do ódio que consome sua alma. Mas o amargurado poderá fazer tudo que quiser contra quem lhe prejudicou, mas tudo mesmo, que nada, nenhuma atitude contra o outro, poderá sarar sua dor e curar sua alma do ódio que sente. Mesmo que o infrator morra sua dor não passará, pois o único remédio para a amargura é o perdão.

Quem não perdoa, não o faz porque sabe que é um ato de abdicação de direitos, além de ser um ato celestial e divino de amor. Quem não perdoa se julga maior do que Deus e possuidor do direito de cobrar as sua dívidas. Sabe que se perdoar estará transferindo as dívidas às mãos de Deus, e como Deus é misericordioso e perdoador, sabe que Ele perdoará quem lhe prejudicou e não fará aquilo que o amargurado na verdade queria, que seria enviar uma onda de desgraça, doenças, morte, prejuízos, infâmias e dores contra seu ofensor. Assim, sabendo que Deus é perdoador, retém o ódio e tenta a todo custo executar justiça própria para vingar de seu ofensor, e com esta atitude a situação só piora, pois a doença na alma avança. A pessoa vai se tornando instável emocionalmente, começa a ter dores pelo corpo, insônia, tristeza, depressão, falta ou excesso de fome, dificuldade de raciocínio. Vai perdendo a qualidade nos relacionamento interpessoais, algumas pessoas se afastam, outras que são obrigadas a conviver ao seu lado começam a se afastar, aparecendo o isolamento (Provérbios 18:01). O amargurado perde os sentidos e os propósitos da vida, pois o foco dela é vingar de seu ofensor, fazendo com que quase todos assuntos de sua vida culminem da sua sede de vingança. Por todos estes fatores o rancoroso (a) começa a sofrer tormento espiritual originado de espíritos ruins que se alojam ao seu lado para atormentá-los (verdugos), pois são como urubus que sentem a quilômetros o cheiro da carniça (margura)!

Devemos perdoar sempre! Se Deus, por meio de seu Filho Jesus, nos perdoou de males e pecados incontáveis, devemos fazer da mesma forma com nossos ofensores. Deus abriu mãos de nossa enorme dívida para com Ele, então devemos abrir mão das pequenas dívidas das injustiças contra nós praticadas. Nenhum mal que sofrermos nesta terra será maior que os males (pecados) que praticamos contra Deus. Quando perdoamos nos desprendemos de nosso ofensor. Tiramos uma carga das costas e entregamo-la para Deus. Deus é o Senhor de toda justiça e o único digno de julgar todas as coisas. A Ele pertence o direito de vingar (Deuteronômio 32:35), porque antes de tudo é misericordioso e perdoador. Quando perdoamos nos liberamos e livramos também nosso ofensor. Quando perdoamos nos sentimos grandes, exatamente porque nos fizemos pequenos. Quando perdoamos sentimos em nós se exaltar a força do bem, exatamente por termos praticado o ato humilde da abdicação de direitos. Quando perdoamos é como se arrancássemos de nós as correntes que nos prendiam a uma espécie de bola de ferro pesadíssima que era usada nos presídios antigos para prejudicar a mobilidade dos prisioneiros. 

Perdoar liberta-nos da amargura, pois é o único remédio existente no universo para este mal da mágoa. O perdão é um ato de confronto entre o ofendido e o nosso ofensor. Se o ofensor não chegar até nossa presença, é indispensável ir até à presença dele para conversar sobre o fato. Então antes do momento de conversa, comece orando e dizendo que libera o perdão ao seu ofensor em nome de Jesus. Abençoe sua vida e a dele também. Profetize cura para sua alma e para dela também. Diga que você o libera e se livra dela também. Pela a Deus para proporcionar uma oportunidade de encontro entre vocês para tratar do assunto gerador da mágoa. E quando for possível, no momento certo proporcionado por Deus, frente a frente dele, cara a cara, com educação, domínio próprio, respeito e amor, comunique que você não gostou de tal atitude, que foi ferido pela situação e que doeu muito. Mas que apesar de tudo, abre mão de seu direito de vingança e cobrança, e libera o perdão para a vida dele em nome de Jesus. Deve ser dito ao ofensor que ele está livre e que você não guardará rancor. O efeito será imediato para você e para ele. A liberdade e a cura serão instantâneas.

Boa sorte! Deus lhe abençoe e capacite na jornada da cura e do perdão, em nome de Jesus!

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